No panorama atual da música pesada, poucas bandas soam tão feias, sufocantes e viscerais quanto os norte-americanos Chat Pile. Formados em 2019 em Oklahoma City, o quarteto retirou o seu nome dos colossais montes de resíduos tóxicos da exploração mineira da região — a metáfora perfeita para o colapso e a contaminação que transpiram no seu som.
Os Chat Pile operam numa zona de pesadelo entre o Noise Rock, o Sludge e o Metal Industrial. Sobre uma secção rítmica seca, metálica e opressiva (com ecos claros de Jesus Lizard e Godflesh) e guitarras talhadas em microfonias abrasivas, destaca-se a performance vocal de Raygun Busch. Afastando-se dos clichés guturais do metal, Busch soa como um homem à beira de um colapso nervoso, alternando declamações maníacas com gritos de autêntica angústia.
Com o esmagador álbum de estreia God’s Country (2022) e o seu sucessor expandido e melancólico Cool World (2024), a banda deixou de parte monstros imaginários para cantar sobre os verdadeiros terrores do século XXI: o isolamento do capitalismo tardio, o abandono dos sem-abrigo e a insanidade das ruas. A sua música não pretende apenas ser pesada; pretende expor as fraturas expostas do sonho americano com uma honestidade tão brutal que é impossível desviar o olhar.
Texto: David Costa.
Fotos: Mário Gouveia.