O Rock da Cobra nos Riffs do Porco

Jesus the Snake: O Rock Sem Palavras Que Fala Mais Alto

Numa cena nacional tantas vezes dominada pelo formato tradicional da canção, os portugueses Jesus the Snake provam que o rock instrumental continua a ser um veículo poderoso para a imaginação. Fundada em 2016, a banda constrói paisagens sonoras hipnóticas onde o stoner, o post-rock e o psicadelismo dos anos 70 se fundem sem pedir licença.

Sem vocais a ditar a narrativa, é a instrumentação que assume o protagonismo. Guitarras envolventes e uma secção de ritmo coesa entrelaçam-se com teclados de estampa vintage, evocando a sofisticação dos Pink Floyd e a força crua de nomes como Colour Haze. O resultado são composições longas, elásticas e de forte carga atmosférica.

O álbum de estreia, Black Acid, Pink Rain (2019), permanece como o cartão de visita ideal: um registo denso, onde momentos de calma quase jazzística dão lugar a explosões marcadas por riffs pesados. Ao vivo — como já demonstraram em palcos como o festival SonicBlast —, o grupo transforma cada concerto numa experiência de imersão total. Os Jesus the Snake são a prova de que a música não precisa de palavras para contar uma grande história.

HÖG -Riffs Galopantes, Psicadelia Satura e Fuzz Sem Travões

Originários da cena underground portuguesa, os Hög são uma força devastadora de Stoner Rock e Heavy Psych que aposta na potência da distorção pura e no groove visceral. Com uma identidade moldada no peso analógico e na dinâmica de trio, a banda recusa rodeios para entregar composições diretas, carregadas de eletricidade e vibração desértica.

A proposta sónica dos Hög assenta na colisão entre uma secção rítmica pesada e uma guitarra omnipresente que oscila entre riffs volumosos e solos incandescentes cobertos de wah-wah e delay. O som é desenhado para o palco: visceral, alto e com uma pulsação constante que arrasta o ouvinte num transe contagiante.

“Uma locomotiva sónica movida a distorção e válvulas ao rubro: a essência do rock pesado reduzida ao seu motor mais puro e elétrico.”

Reconhecidos pelas suas atuações elétricas e pela cumplicidade sonora em palco, os Hög afirmam-se como um vector de referência na dinâmica do rock pesado e psicadélico feito em Portugal.

Texto:David Costa

Fotos Mário Gouveia