No dia 14 de Outubro, a Espinho Magazine viu o lançamento de uma live session em estúdio de duas faixas de III, o mais recente álbum dos espanhóis Red Eye. Entre peso sónico e conversa, ficamos a conhecer melhor uma das propostas mais consistentes do underground espanhol. Aqui fica o resumo da entrevista que fizemos à banda.
Formados em Antequera, Málaga, em 2016, os Red Eye movem-se entre o Stoner, Doom e Heavy Psych, combinando riffs pesados, muito fuzz e ambientes psicadélicos. Após Tales from the Days of Yore (2019) e The Cycle (2022), a banda regressa com III (2025), disco que consolida o actual formato de power trio e aprofunda a sua faceta mais cósmica e conceptual.
Os Red Eye nasceram da vontade do baterista Pablo Terol de criar uma banda de Stoner/Doom. Entre encontros de músicos de Antequera e Málaga, o projecto foi ganhando forma e o nome surgiu de forma espontânea, inspirado em Ojo Rojo dos Fu Manchu.
A banda reconhece que Antequera e a Andaluzia continuam presentes na sua identidade. Embora não procure soar explicitamente andaluza, admite que elementos do flamenco e da cultura local acabam por surgir naturalmente nas composições. A energia calorosa e festiva da região é também uma influência importante na sua presença em palco.
Quando se estrearam com Tales from the Days of Yore, os Red Eye actuavam como quarteto. Além de Antonio Campos e Pablo Terol, integravam a formação Ángel Arcas e Juanan Román. Actualmente, a banda é composta por Antonio Campos del Pino (guitarra e voz), Antonio Pérez Muriel (baixo e sintetizadores) e Pablo Terol Rosado (bateria, percussão, sintetizadores e voz).
A evolução da discografia aconteceu de forma natural. Apesar de os três álbuns terem sido lançados com intervalos de três anos, a banda garante que não existiu qualquer plano pré-definido. Com III, inicia-se uma nova etapa marcada pela consolidação do formato power trio. Enquanto o álbum de estreia reunia composições dos primeiros anos e The Cycle assumia uma forte componente conceptual, III adopta uma abordagem mais livre e diversificada.
A passagem para trio alterou profundamente a dinâmica do grupo. Sem uma segunda guitarra, os músicos passaram a valorizar mais o espaço entre os instrumentos, apostando na interação entre guitarra, baixo e bateria. Uma mudança que exigiu novas formas de compor, mas que hoje é vista como uma das melhores decisões da banda.
Essa transformação reflecte-se também no som. O baixo ganhou maior protagonismo através da combinação de um amplificador tradicional com um pequeno amplificador de guitarra fortemente saturado, criando uma textura agressiva e distintiva. As afinações graves, a criteriosa escolha de guitarras, pedais e amplificadores e a utilização do processador Line 6 Helix ajudam a construir uma sonoridade pesada e densa.
Os sintetizadores e drones assumem igualmente um papel mais relevante em III. Mais do que preencher espaço, servem para ampliar as atmosferas e reforçar a temática cósmica do álbum. Essa dimensão está particularmente presente em temas como “No Morning After” e “The Nine Billion Names of God”, inspirados na obra de Arthur C. Clarke e integrados num imaginário de ficção científica, espaço e transcendência.
Quanto ao futuro, a banda prepara o lançamento dos vídeos Live at Green Cross, continua a compor novo material e tem vários concertos em preparação. Entre os objectivos está também a presença em festivais de maior dimensão, um passo que os músicos acreditam estar prontos para dar.
Apesar das dificuldades provocadas pela redução de salas de concertos, pela gentrificação e pela pressão turística, os Red Eye consideram que a cena heavy de Málaga continua viva. Orgulham-se de fazer parte do underground andaluz e destacam o espírito de entreajuda e camaradagem existente entre as bandas da região.
Os Red Eye apostam no essencial: canções pesadas, grooves esmagadores e uma vibração genuinamente underground. Música feita para soar alto, entre amplificadores a ferver, nuvens de fuzz e cabeças a abanar ao ritmo de riffs monumentais.
Texto: David Costa.
Fotos: Red Eye.